Entre artes e culturas
No dia 17 de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo terminava o que ficaria conhecido na História como “Semana de Arte Moderna de 22”. Realizada entre os dias 13, 15 e 17 de fevereiro, a semana de arte contou com a participação de escritores, músicos, artistas e arquitetos de São Paulo e Rio de Janeiro tendo como objetivo, segundo Graça Aranha, de demonstrar do que havia nas esculturas, pinturas, arquitetura, música e literatura o que havia de mais atual.
Contando com artistas do porte de Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Heitor Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna, até hoje, é envolvida por questionamentos tais como: o evento provoca choques e rupturas ou foi apenas um tom festivo?
Ocorrida no centenário da Independência do Brasil a Semana difundiu a ideia de renovação de um ambiente estagnado artisticamente e de um descobrimento de identidade de uma nacionalidade que se formava a partir de um repensar dos vínculos que ainda nos prendia a Europa.
Segundo analise da professora Elza Ajzenberg em seu artigo “A Semana de Arte Moderna de 1922”, os debates a respeito da Semana ainda envolvem certas controvérsias a respeito de seus objetivos e consequências para a arte brasileira, mas diz que não se pode negar que a “a Semana de 22 seja um marco”.
Sendo apenas um evento festivo ou não, é inegável que a Semana de 22, anos depois, foi grande influenciadora de boa parte das produções artísticas culturais pelo Brasil afora, de Sergio Buarque de Holanda, com seu, “Raízes do Brasil” ao movimento do tropicalismo a Semana de 22 se fez presente.
E quanto aos dias de hoje? No dia 17 de fevereiro de 2020, quando se comemora os 98 anos do marco que viria a ser a Semana de Arte Moderna, como anda os incentivos a cultura do Brasil? Conseguimos nos desprender das amarras de um eurocentrismo ou do complexo de vira-lata? Ou ainda vivemos aos moldes um “nacionalismo” a lá Alemanha?
Em pleno ano de 2020, a cultura e a arte brasileira vêm vivendo constantes desmanches e censuras por parte de um Estado que busca, dentro de seus projetos, um retorno ao sentimento nacionalista, mas fica o questionamento, qual nacionalismo se busca? A um nacional conforme Tarsila do Amaral nos representou? Cabeça pequena que se recusa a pensar e refletir sobre seu meio ou um nacionalismo que um dia buscou reinventar o conceito do que é ser brasileiro, buscando fugir de um conceito do “Bom Selvagem” ou do “Homem Cordial”?

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